(26/12/2007) Projeto inédito no país busca incentivar cultura de paz por meio da Justiça Comunitária
Com o objetivo de reunir esforços para a implantação de um Núcleo de Justiça Comunitária, foi assinado na última sexta-feira (21/12), no Tribunal de Justiça, um acordo de cooperação entre o Ministério da Justiça, o TJRS, a Defensoria Pública, a Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul e o Instituto Cultural São Francisco de Assis. O projeto-piloto vai ser implantado inicialmente na comunidade da Lomba do pinheiro e busca conscientizar os cidadãos, esclarecendo seus direitos e promovendo a solução pacífica de conflitos.
Firmaram o convênio o Ministro da Justiça Tarso Genro, o 1º Vice-Presidente do TJRS, Desembargador Arminio José Abreu Lima da Rosa, o Secretário da Reforma do Judiciário, Rogério Favreto, a Defensora Pública-Geral do Estado Maria de Fátima Záchia Paludo, a Presidente da AJURIS, Juíza Denise Oliveira Cezar e o Frei Luciano Bruxel.
O Ministro Tarso Genro explicou que a escolha de implantar o núcleo em Porto Alegre deve-se “à limpidez do Poder Judiciário do Rio Grande do Sul”, afirmando que a iniciativa deverá se reproduzir em todo o País. “Esse evento é de muita significação e um ato constitutivo da reforma do Estado, através de exemplos e da criação de novas instituições”. Discorreu sobre o enfraquecimento das funções públicas do Estado, e salientou que a segurança púbica e o exercício dos direitos dos cidadãos são questões centrais na democracia e na República, e na política do Estado.
O Desembargador Arminio saudou a presença de representantes da comunidade da Lomba do Pinheiro, destacando que a presença deles na solenidade representa uma mudança de mentalidade. “Passamos a uma nova fase, no que pode o Poder Judiciário contribuir para que o cidadão se dê conta de que tem capacidade de resolver seus problemas”. Fez também uma menção especial à Desembargadora Genacéia da Silva Alberton, que propôs inicialmente a integração do Judiciário Estadual à iniciativa.
Representando o Instituto Cultural São Francisco de Assis, Frei Luciano registrou que o projeto vai aproximar a Justiça dos cidadãos, devolvendo-lhes o poder de resolver conflitos. “Significa restituir às pessoas o poder de fortalecer vínculos comunitários”, avaliou. “É uma alternativa importante na resolução de conflitos na nossa comunidade”. Ao invocar os ideais do fundador da Ordem Franciscana, manifestou a certeza de que “o projeto irá contribuir para a diminuição da violência e o desenvolvimento de uma cultura de paz, conforme a pregação de São Francisco”.
Rogério Favretto destacou que o Núcleo vai permitir o tratamento horizontal das questões, prevenindo e evitando a judicialização de conflitos. Agradeceu o apoio institucional do TJRS, ressaltando que a Justiça gaúcha está sempre na vanguarda, a exemplo da criação pioneira dos Juizados Especiais.
A Defensora Pública-Geral do Estado, Maria de Fátima Záchia Paludo, asseverou que a mediação é necessária quando a Justiça tradicional nem sempre atende de forma eficaz a determinadas situações. “Em especial a pessoas carentes, que muitas vezes têm urgência na solução de seus problemas.”
Manifestou-se em nome da Escola Superior da Magistratura o Desembargador Paulo de Tarso Vieira Sanseverino, que apontou o esgotamento da jurisdição convencional e a necessidade de resolver conflitos por meio da paz entre as pessoas, alcançando uma efetiva solução.
Mediação
Serão formados agentes mediadores que possam facilitar a resolução de conflitos na comunidade onde vivem, sem a necessidade de intervenção da Justiça e tornando mais rápidas as decisões. Propõe-se a atender questões de menor complexidade, como desentendimentos entre vizinhos.
O Núcleo será estabelecido nas dependências do Instituto Cultural São Francisco - Unidade Centro de Promoção da Criança e do Adolescente, no Bairro Lomba do Pinheiro.
As atividades serão desenvolvidas por equipe multidisciplinar formada por assistentes sociais, psicólogos e advogados, que devem auxiliar os agentes mediadores a resolver os conflitos.
Treinamento
Os mediadores serão treinados pela equipe multidisciplinar que integra o Núcleo de Mediação da Escola Superior da Magistratura. Este grupo é formado por psicólogos, advogados, assistentes sociais, pedagogos e magistrados e irá treinar e monitorar os mediadores.
Em janeiro de 2008 deverá ser iniciada a seleção de cerca de 40 agentes comunitários. O curso terá carga horária de 60 horas-aula e está previsto para começar no mês de março, com a formatura da primeira turma em maio.
A atuação dos mediadores será voluntária e totalmente gratuita, sem qualquer tipo de remuneração.
Presenças
Compareceram à solenidade o Corregedor-Geral do Tribunal de Justiça Militar, Juiz Coronel Sérgio Antônio Berni de Brum; o Superintendente Regional da Polícia Federal do Estado, Delegado Ildo Gasparetto; o Vereador Carlos Todeschini, representando a Procuradora-Geral do Município; o Secretário Municipal de Segurança, Kevin Krieger, e o Major Marco Antônio Oliveira representando o Comandante-Geral da Brigada Militar.
Estiveram presentes também o Chefe da Polícia Civil do Estado, Delegado Pedro Carlos Rodrigues; o Advogado Ricardo César Corrêa Pires Dornelles, representando o Presidente da OAB; o Diretor do Foro da Justiça Federal Hermes Siedler da Conceição Júnior; e João Paulo Veiga Sanhudo, representando o Procurador Regional da União na 4ª Região, além de magistrados e representantes da comunidade de Lomba do Pinheiro.
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Com informações do TJ/RS.